Em setembro de 2024, a Receita Federal do Brasil registrou uma arrecadação total de R$ 203,169 bilhões, o maior valor já registrado para o mês desde que os números são acompanhados em 1995. O salto de 11,61% em termos reais, depois de descontada a inflação do IPCA, superou o mesmo período de 2023 e ultrapassou inclusive o recorde de agosto, que havia ficado em R$ 201,6 bilhões.
Desde a redemocratização, a Receita Federal tem divulgado mensalmente os resultados de Receita Federal. O recorde de setembro reflete não só a recuperação da atividade econômica, mas também ajustes pontuais na legislação tributária, como a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Pasep e Cofins. No acumulado de janeiro a setembro, o total chegou a R$ 1,934 trilhão, outra marca histórica para o período.
A combinação de maior volume de vendas, serviços e o retorno da tributação sobre combustíveis elevou a base de cálculo geral.
O chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, Claudemir Malaquias, explicou: "Vemos no desempenho da arrecadação em setembro, comparado com o ano passado, um crescimento bastante expressivo, explicado em parte pelos indicadores macroeconômicos. Ou seja, a atividade econômica é que está impulsionando o resultado da arrecadação".
Já Marcelo Gomide, coordenador de Previsão e Análise da Receita, acrescentou que a revisão dos prazos de recolhimento no Rio Grande do Sul e a atualização de bens no exterior, previstas na Lei 14.754/2023, trouxeram receitas adicionais não previstas nos modelos de projeção anteriores.
Durante a coletiva, realizada nas dependências do Ministério da Fazenda em Brasília, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ressaltou que o resultado "demonstrou que a economia brasileira está crescendo com inflação controlada, sinal de potencial de crescimento sustentável". Haddad ainda rebateu a crítica do FMI de que o aumento do PIB seria fruto de estímulos fiscais excessivos, destacando que o déficit primário de 2023 (R$ 230,54 bilhões) foi consequência de pagamentos de dívidas do governo anterior.
Na mesma semana, Haddad e a equipe econômica viajaram para Washington para participar da reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial. O FMI elevou a projeção de crescimento da economia brasileira de 2,1% para 3% em 2024, mas reduziu a estimativa para 2025 de 2,4% para 2,2%.
Analistas veem o recorde de arrecadação como um reforço da confiança dos investidores, já que maior receita fiscal amplia a margem de manobra para políticas públicas sem depender tanto de endividamento externo. Porém, alertam que a sustentabilidade desse ritmo depende da continuação da recuperação do consumo interno e da estabilidade política.
Para manter a trajetória ascendente, a Receita Federal pretende aprofundar a fiscalização sobre importações de alto valor e ampliar a base de cálculo de tributos sobre serviços digitais. O governo também indica que pode rever o modelo de pagamento de juros sobre dívidas internas, o que impactaria o resultado fiscal nos próximos meses.
Em paralelo, o Fenacon destaca que o recorde de arrecadação se deve, em grande parte, à recomposição da base fiscal após o fim de medidas de auxílio setoriais que foram implementadas durante a pandemia.
O aumento da arrecadação pode significar mais recursos para investimentos públicos, mas também sinaliza que a carga tributária efetiva está em alta. Contribuintes que tiveram alta renda ou vendas maiores sentiram o impacto diretamente, enquanto setores beneficiados por incentivos temporários podem observar uma redução desses auxílios.
O setor de combustíveis, varejo de bens duráveis e o comércio exterior (especialmente importações) foram os principais responsáveis. Além disso, a linha de receita previdenciária avançou graças ao aumento da massa salarial.
O FMI revisou para cima a projeção de crescimento de 2024, passando de 2,1% para 3%, mas diminuiu a expectativa para 2025, de 2,4% para 2,2%, citando incertezas globais e a necessidade de ajustes fiscais.
Entre as estratégias anunciadas estão a ampliação da fiscalização nas importações, a revisão da tributação sobre serviços digitais e a atualização de bens e direitos no exterior, conforme a Lei 14.754/2023.
A participação nas reuniões do FMI e do Banco Mundial permite ao ministro alinhar as expectativas internacionais com a política interna, potencialmente facilitando condições de crédito mais favoráveis e reforçando a credibilidade das metas fiscais brasileiras.
Maria das Graças Athayde
outubro 9, 2025 AT 01:41Fico feliz em ver esses números tão animadores 🤗, sinal de que a economia está dando sinais de recuperação, e isso traz esperança para a população que tanto precisa de investimentos públicos. 🌟
Luciano Pinheiro
outubro 21, 2025 AT 15:01É realmente surpreendente como a combinação de ajustes fiscais e a retomada do consumo cria um verdadeiro turbilhão de números positivos, quase como uma pintura vibrante onde cada cor representa um setor impulsionado. A exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins, por exemplo, pinta um tom de alívio para o comércio, enquanto a tributação revisitada nos combustíveis lança um brilho de sustentabilidade. Em suma, este recorde parece uma sinfonia bem orquestrada de políticas e dinamismo econômico.
celso dalla villa
novembro 3, 2025 AT 03:21Esse recorde mostra que a economia tá acordando, mano.
Valdirene Sergio Lima
novembro 15, 2025 AT 16:41Observa‑se, com rigor acadêmico, que o aumento da arrecadação não ocorre de forma isolada; ao contrário, ele reflete um conjunto intricado de variáveis macroeconômicas, como a expansão da massa salarial, o retorno da tributação sobre combustíveis, e a intensificação das importações de alto valor, todas coadunadas em um cenário de recuperação geral, que, por sua vez, demanda constante atenção dos formuladores de políticas.
Ismael Brandão
novembro 28, 2025 AT 06:01É empolgante ver a Receita Federal conseguindo alavancar recursos adicionais, especialmente considerando as recentes atualizações na legislação; isso demonstra que, com planejamento estratégico e fiscalização eficaz, podemos alcançar metas mais ambiciosas, impulsionando investimentos em infraestrutura e serviços públicos, sem comprometer a estabilidade fiscal.
Gustavo Cunha
dezembro 10, 2025 AT 19:21Curti muito a ideia de ampliar a fiscalização nas importações, parece que vai ajudar a fechar brechas e ainda trazer grana extra pro caixa, tudo de boa.
Jocélio Nascimento
dezembro 23, 2025 AT 08:41Concordo plenamente com o ponto levantado anteriormente; a intensificação da fiscalização deve ser acompanhada de transparência e diálogo com o setor produtivo, garantindo que as medidas sejam proporcionais e eficientes, de modo a evitar impactos negativos inesperados.
Sandra Regina Alves Teixeira
janeiro 4, 2026 AT 22:01Vamos celebrar esse avanço, mas sem esquecer que a sustentabilidade depende da continuidade das políticas corretas; é hora de manter a energia positiva e pressionar por mais iniciativas que fortaleçam ainda mais o fisco.